venha
mas venha de manhã
e por favor
passe na padaria
você vai gostar de ver
nas notícias do dia
naquele jornal esquecidinho
lá embaixo
o que escrevi
na folha número trinta e três
um recadinho
pro novelinho de lã
que é meu
e atende pelo nome
você
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O mar
será que o mar não se cansa?
trinta mil vezes por dia
balança
é uma eterna dança
e eu penso
como é mansa a água
desse rio-mar
propenso a tempestades
entidades e perigos
mas o mar não se preocupa
nele mesmo encontra a cura
pois é semente
de casca dura e uniforme
que desabrocha e acaba em si
no leito da morte
que é o regresso à vida
e ao sentir
trinta mil vezes por dia
balança
é uma eterna dança
e eu penso
como é mansa a água
desse rio-mar
propenso a tempestades
entidades e perigos
mas o mar não se preocupa
nele mesmo encontra a cura
pois é semente
de casca dura e uniforme
que desabrocha e acaba em si
no leito da morte
que é o regresso à vida
e ao sentir
sábado, 22 de junho de 2013
eles riem de nós
é tanta indignação
que um reclame só
não adianta
a anta
em dor
grita chora esperneia
o esperto
sem amor
aproveita explora e saqueia
o acomodado
indoor
petisca se apavora compartilha
e o cara de lá
confisca
evapora provas
e de lei se faz
que um reclame só
não adianta
a anta
em dor
grita chora esperneia
o esperto
sem amor
aproveita explora e saqueia
o acomodado
indoor
petisca se apavora compartilha
e o cara de lá
confisca
evapora provas
e de lei se faz
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Ditadura
corto e colo
não gosto
re-corto
em nada dá
de nada será
ou valerá
a pena
uma prosa pequena
pois não sei explicar
existe isso em mim
pois sou vítima
não de sistema ou motivo assim
talvez de sistema
também dos poemas
que escrevo sem fim
eu
não
paro
se paro
reparo
só sei
assistir
não sei
existir
legítima vítima
órfão por ela
perdido com ela
levou-me paixão
a puta tensão
que é tele
de longe
escópia
tele-visão
agora faço
refaço
disfarço
não traço
vítima da visão
da televisão
sexta-feira, 3 de maio de 2013
não cresça
o conselho que eu dou para quem
ainda não cresceu
é que não cresça
pois não há propósito
e não há por que
por maior a crença
somente caso queira sofrer
até seu tempo de morrer
ainda não cresceu
é que não cresça
pois não há propósito
e não há por que
por maior a crença
somente caso queira sofrer
até seu tempo de morrer
sábado, 5 de janeiro de 2013
minha criança
adotei uma criança
mais ou menso da minha idade
um pouco mais velha
quase nada
tão cheia de sonhos
que, como eu,
deseja conforto
mas também sabe lutar
criança no modo de falar e no amar
na inteligência e na essência
criança a qual
quero cuidar
tem-me nos braços
nas lembranças
e seguindo seus passos
pra sempre.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
ossos do ofício
que prazer
tanta coisa pra fazer
e não fazer nada
evitar relatórios
tantos falatórios
sem falar nos fins ilusórios
que nos condicionam ao vazio
ao não contentamento
a nada
passíveis a viver em meio a fogo e navalhas
não quero acordar e ver
todos que amo
um a um
morrer
não quero perder o tempo sem poder viver
todo ório é o fim
sempre são obrigação
não fui feito pra isso
não para o ofício
tenho que ser responsável
até pelos meus atos
mas não sou
mesmo sendo pago
tanta coisa pra fazer
e não fazer nada
evitar relatórios
tantos falatórios
sem falar nos fins ilusórios
que nos condicionam ao vazio
ao não contentamento
a nada
passíveis a viver em meio a fogo e navalhas
não quero acordar e ver
todos que amo
um a um
morrer
não quero perder o tempo sem poder viver
todo ório é o fim
sempre são obrigação
não fui feito pra isso
não para o ofício
tenho que ser responsável
até pelos meus atos
mas não sou
mesmo sendo pago
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