quinta-feira, 27 de setembro de 2012

passeio pelo novo rio


o dia a dia cheira a gasolina
fechada xingada buzina
sempre pouco tempo
pra viver

dizem: vamos todos morrer
mas procuram a morte
num mal-estar social distribuído
entre barras conrados e ipês

não aproveitam a vida
nem nada
dormem no canton
bebem do chandon
e domingo
bobocas são
balbuciando perdão
dançando contentes
almas caídas
bolsos emergentes

com o mundo assim eu perco a fé
o rio hoje é empresa
projetado e executado pela melhor empreiteira
sua morte, certa é

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

meu mau humor


de bom não tenho nada
sei o que sou
deus mesmo falou
fio perdido na meada

tanta coisa já tentei
notas mal tocadas poucas acertei
eu queria contar uma história
dominar algo
ser algo
ter alguma vitória ou derrota
qualquer coisa

dizem que sou vagabundo
eu me vejo como observador do mundo
mas mesmo assim, doutor, nada de bom
de bom só o mau humor

terça-feira, 31 de julho de 2012

wonderwall

mascaro fraqueza num esconderijo
dentro de mim
eu que já desisti de alguém após outro toque
pedia por favor não me provoque
era assim
abria a mão de tudo pelo fim

as meninas na mesa do bar
hoje não dizem nada
hoje não me são nada
fazem charme e mistério
mas não chegam aos pés do teu sono belo

estou longe do mundo da lua em que me perdi
pela pessoa errada
distante de deus
mas perto do amor

vejo pela janela
os velhinhos tão moços
amantes que como nós
não são insossos
como os que resolveram não amar

terça-feira, 24 de julho de 2012

the right step

aprendi a (des)cantar a solidão
canto-a, embora agora sem propósito
pois há muito meu coração fala
fala fala, se incendeia,
e, esperto, galanteia sempre o mesmo par
porque sabe
que com você
meu caminho
mesmo sozinho
é paz.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

passeio pelo rio antigo


o dia a dia cheira a cigarro
café pinga e pigarro
começando cedo no trem atrasado
tenho hora pra chegar
mas não respeito horário
tenho a central do brasil a me esperar
nesse cotidiano de guerra
fugindo dos mortos da pedra

vambora, chama os moleque
lapa rosário tiradentes
sozinho ou com gente
é certo o pileque no lavradio

imagina ser sempre bem-vindo
imagina acordar no rio lindo
no sobrado do meu tio-avô na riachuelo
e você na alcova da velha moça
que um dia me amou

sábado, 9 de junho de 2012

nhacundá

Mandei o Sitar e os foles a cantar pra tu dormir
distante vejo a manhã refletir o que não quero ver:
você longe de mim
Pode ser da eternidade imaginar
que a vida não nos quer juntinhos toda noite
mas os lugares por onde andei
me ensinaram a esperar
então que a vontade não me mate

E que ao nosso amor não falte
o cúmplice, o perdão e o feijão
uma casinha e um violão
que vou aprender só pra tocar aquela música
que tu disse prender teu coração

Que felicidade acordar e perceber
que não to sonhando quando penso
que meu sonho é você

quinta-feira, 31 de maio de 2012

purée de batatas morais


é este o meu insentimento ao burguês
o que consome
e se farta
que é sombra na rua
passa sem se perceber
escondido na blindagem
fachada pra inglês ver

o que enaltece a dificuldade
e reduz à vadiagem
ele odeia a você, ao prefeito e ao cracudo
pendura cartaz no muro
'paga à vista ou no carnê?'
ele vende a tua saúde
assina teu óbito
castra tua juventude

ele era o liberto
fodia bebia cheirava
mas hoje faz a capa
VEJA!
sua comida está na mesa