quarta-feira, 23 de maio de 2012

véspera

é véspera
de natal, ano novo ou da festa de ogum?
é véspera
coisa de quem espera
e não chega a lugar nenhum

segunda-feira, 21 de maio de 2012

agora que vou

Hoje vou, mas deixo aqui tanta coisa: quantas certeza e incertezas, filosofias e o senso-comum. Tudo que guardo comigo se extingue.

Minha hora chegou e não tive tempo de compreender a Teoria da Relatividade, em para estudar Alemão. Não tive tempo de ensinar meus netos a transformarem o sonic em super sayajin, mas hoje em dia quem se importa com esses joguinhos?
Quanto ao que aprendi: está certo que filhos, netos - quem sabe bisnetos - levarão consigo de alguma forma, quando os ensinei, mas até quando isso é certo?

Quantos mosquitos matei, quantas maçãs mordi, quantos sambas sambei?

Assim como não tive tempo de acompanhar os 4,5 bilhões anos de vida da Terra, meus filhos não me viram passar, só em parte. A gente vive e só vê por completo a nossa vida. Nascemos e morremos solitários, como lobos, e certas vezes, como tais, matamos para sobreviver. Mas enquanto passei, amei a todos que toquei.

Ah! Ah, a vida! Uma só é a vida! Uma só é tão pouco! Por que Deus nos dá uma só? Se ele existisse eu perguntaria. Mas agora eu tenho que ir. Deixo aqui as ambições incompletas e os amados. Uns pensariam e encontrar os amados que já foram, mas eu só penso que estou, em delírio, perdendo a consciência. Mas foi essa que me fez sofrer durante anos: minha consciência. Então me pergunto: se me fez sofrer tanto, por que o medo do não-ser?

Melhor apagar a luz.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

inimigo zé


como o jazz
sou feito na polirritmia
alterante meu compasso
do ar sou a arritmia
sou improvisação por onde passo

acordo tarde
lembro de tocar a vida
queria viver num poema de andrade
ser um raimundo sem ferida
ou até mesmo uma solução
assim encontraria algo de bom
que acalmasse coração

lembro que sou feliz
então rio
e sutil que sou
aponto pro inimigo:
"E agora, José?"

domingo, 6 de maio de 2012

nosso carnaval


lá: nós
sozinhos e sorrindo
num sussurro de voz
corações tão próximos que só
bastava mesmo o olhar
acho que assim é estar em paz

minhas palavras dei, como se enxergasse a mim no teu sorriso
e então,
me vi eternamente responsável pelo que cativei

terça-feira, 1 de maio de 2012

quiáltera


os dias passavam
menos na minha cabeça
eu estático espiava o mundo mas só vivia tristeza
ele se despedaçava
e eu nem via

todo mundo era hostil
era fácil dizer isso
tudo é fácil
pra um fool on the hill

e se no lugar de o mundo estar errado
na verdade eu é que estava paralisado?
e então pergunto
quanto tempo será me sobrou pra recuperar o tempo perdido
ah deixa pra lá
o que é bom há de chegar

o amor parece novo
mas não é
eu é que fui tolo demais pra perceber
que amor é você
e só agora eu sei
do tempo que perdi

quinta-feira, 12 de abril de 2012

pássaros sem asas

os humanos vão e vêm
sem ócio ou lazer
trabalhar virou viver

jogam fora a vida
e não percebem que o universo
é tão grande quanto ela

vejo tanta gente falando de destino e acaso
não me desatino perante
frustam-se com o falhado
mas determinaram suas vidas com o errado

se odeiam
respeitam a cor da pele
não vêem a alma que rejeitam
mas na luta seguem

as pessoas cassaram suas próprias qualidades
são como pássaros sem asas

sexta-feira, 6 de abril de 2012

humano, demasiado humano

quando deixo de lado algumas reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais, surgem outras reflexões sobre coisas menos relevantes mas que, se alteradas, tornariam o mundo um pouquinho melhor.

nos últimos tempos tem me irritado o número crescente de smartphones. os usuários, abobalhados, sempre a jogar, sempre a baixar um novo aplicativo... por quê?
algumas vezes torno-me alvo desses gadgets aprisionadores de mente. não posso mais manter uma conversa com os usuários, pois não me contento com 'aham' 'hmm' 'olha esse novo aplicativo que baixei' e respostas que não convém ao assunto abordado. pr'onde foi a humanidade?

outro extremo da falta de respeito, ainda no campo da telefonia móvel, é o volume inconveniente adotado pelas pessoas durante as ligações. por vezes sou obrigado a ouvir o destinatário ao viva-voz, por vezes sou obrigado a ouvir o próprio remetente aos berros, em frenesi. e pra piorar: conversas tão pessoais que eu passo a achar que o abastecimento de água da cidade está com problema, misturando à formula um destruidor de neurônios. onde está a neurotransmissão que inibe esse tipo de comportamento?

cada vez se torna mais normal o isolamento social, o compartilhamento de status, a encheção de saco, o 'vou lá tirar satisfação', o resultado do futebol, a falta de 'bom dia', 'obrigado', 'por favor'. cada dia se torna mais comum o desumano. ou sou eu demasiado humano?